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25 março, 2011

Gaúchos lideram o ranking de obesidade no país

A saúde do coração dos gaúchos corre sérios riscos. O churrasco pode estar com os dias contados no cardápio. O Rio Grande do Sul está em primeiro lugar no ranking brasileiro de obesidade e sobrepeso. As doenças cardiovasculares decorrentes deste problema já podem ser consideradas como epidemia. Em 30 anos o Brasil pode se tornar o campeão mundial de doenças do coração, superando os Estados Unidos. Os dados foram divulgados pela Sociedade de Cardiologia do Rio Grande do Sul (Socergs) segundo uma pesquisa realizada em julho de 2010 pelo Instituto Methodus.

Em Pelotas 115 pessoas foram entrevistadas. Deste universo, 40,2% estão com sobrepeso e 8,9% considerados com obesidade moderada. Índices esses que ultrapassam Porto Alegre, onde dos 400 entrevistados, 36,8% foram avaliados com sobrepeso.

Fatores de risco

Cinco são os fatores de risco ligados às doenças cardiovasculares: tabagismo, hipertensão, diabetes, sedentarismo e obesidade. Leivas afirmou que o fumo é o motivo principal de doenças do coração. Questionados sobre o consumo de cigarros 19,1% dos pelotenses se declararam fumantes. De acordo com Leivas, no Rio Grande do Sul a queda do consumo de tabaco é menor em relação a qualquer outro estado do país. Os homens ainda fumam mais que as mulheres. Entretanto o número de fumantes cresce entre os adolescentes. Em segundo lugar estão os maus hábitos alimentares. A carne vermelha e o excesso de sal também são grandes vilões nesses resultados.

Crianças obesas

"Criança gorda não é criança saudável. Os pais precisam aprender isso de uma vez por todas", explicou Leivas. Muito tempo em frente ao computador, à televisão e ao videogame, aliado a uma alimentação baseada em fast foods, salgadinhos, refrigerantes e doces, somados a pouca ou a nenhuma atividade física. O resultado disso são meninos e meninas com peso excessivo.

Matéria retirada de  Só Nutrição 

28 dezembro, 2010

Papai Noel é má influência


Papai Noel é coisa séria. E não apenas para as criancinhas que o aguardam no Natal. Também na ciência há quem acredite nele, pelo menos o suficiente para investigá-lo. Esses pesquisadores tentam entender o segredo de tão duradouro sucesso, assim como os efeitos (nem sempre admiráveis) que essa presença vermelha e rotunda exerce na psicologia de crianças e adultos, nas relações sociais, na religião e até na saúde pública. Afinal, o "bom" velhinho tem lá suas idiossincrasias. Ao longo das últimas décadas, uma série de estudos tem revelado resultados surpreendentes e até perturbadores, que tendem a ser ofuscados por interesses comerciais. Um dos primeiros a dedicar uma análise aprofundada sobre o protagonista do Natal foi ninguém menos que o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss (1908-2009). Sua motivação teve origem numa notícia publicada no jornal "France Soir", em 24 de dezembro de 1951, com o título: "Papai Noel é queimado no átrio da Catedral de Dijon diante de crianças de orfanatos". Coordenada pelo clero católico (com apoio de protestantes), a manifestação do dia anterior apregoava o caráter pagão daquela figura, que estaria arruinando a tradição cristã. Há uma correlação entre os países que mais veneram o Papai Noel e altos índices de OBESIDADE infantil "Nathan Grills, epidemiologista da Universidade Monash, em Melbourne (Austrália). A opinião pública francesa se dividiu diante da inusitada situação: de um lado, a Igreja demonstrando espírito crítico e, de outro, os racionalistas defendendo a superstição. A contradição chamou a atenção de Lévi-Strauss e resultou no livro "O suplício do Papai Noel" (Cosac Naify, 2009, tradução de Denise Bottmann). Nele, o antropólogo classifica o Papai Noel do ponto de vista da tipologia religiosa: "Não é um ser mítico, pois não há um mito que dê conta de sua origem e de suas funções; tampouco é um personagem lendário, visto que não há nenhuma narrativa semi-histórica ligada a ele. Na verdade, esse ser sobrenatural e imutável, fixado eternamente em sua forma e definido por uma função exclusiva e um retorno periódico, pertence mais à família das divindades; as crianças prestam-lhe culto em certas épocas do ano, sob a forma de cartas e pedidos; ele recompensa os bons e priva os maus. É a divindade de uma categoria etária de nossa sociedade (...) e a única diferença entre Papai Noel e a verdadeira divindade é que os adultos não creem nele, embora incentivem as crianças a acreditar e mantenham essa crença com inúmeras mistificações". Divindade infantil Quem pensa no bom velhinho como uma invenção puramente capitalista talvez se surpreenda com sua semelhança com ritos mais primitivos, detectada pelo pai da antropologia estrutural: "Como não notar, por exemplo, a analogia entre Papai Noel e as katchina dos índios do sudoeste norte-americano? Esses personagens fantasiados e mascarados encarnam deuses e ancestrais; voltam periodicamente à aldeia para dançar e para punir ou recompensar as crianças, e dá-se um jeito para que elas não reconheçam os pais ou parentes sob o disfarce tradicional". A psicologia evolutiva explica por que o ancião barbudo, rechonchudo e sempre vestido de vermelho e branco pouco mudou ao longo do século 20, numa sociedade globalizada que vive sob o signo da novidade. É nos aspectos não-verbais que reside toda a empatia que rendemos a ele, até porque seu repertório verbal é bastante restrito, não indo muito além do "ho-ho-ho". Segundo o psicólogo Sandro Caramaschi, professor da Faculdade de Ciências da Unesp em Bauru, a ambiguidade de sua aparência é fundamental para entender sua vitalidade. "De um lado, o Papai Noel reúne características infantis, como a face arredondada, a testa grande e abobadada, nariz pequeno e pouco saliente, bochechas carnudas e queixo recuado. São sinais de infantilização que geram uma poderosa reação de empatia", diz. Por outro lado, "a barba e o cabelo brancos transmitem um ar de sabedoria, autoridade e credibilidade associado à velhice". Segundo ele, esses aspectos formam a combinação perfeita entre ingenuidade e sobriedade. Além disso, é preciso considerar também a coragem, a intensidade e paixão que o vermelho da roupa representa. "As botas e o cinto preto trazem um equilíbrio nobre que alegra seu visual", completa. A análise da aparência do personagem está no livro "Corpo e cultura - Múltiplos olhares" (Cultura Acadêmica, 2009). Ainda segundo Caramaschi, a empatia que Papai Noel desperta nos seres humanos não é homogênea, dependendo da idade e do sexo. Por razões culturais e biológicas, nos adultos, o apelo não verbal dessa figura natalina é muito mais potente nas mulheres (ou seja, mamães, vovós, titias, madrinhas etc.) que nos homens. Já as crianças abaixo de certa idade, diz ele, aproximadamente entre 5 e 6 anos, não estão prontas para desfrutar da fantasia.
Há indícios de que a exposição ao Papai Noel nos primeiros anos de vida pode levar a reações paradoxais: em vez de empatia, sorrisos e afagos, é mais comum o pavor, acompanhado de caretas, lágrimas e berros. O fenômeno ainda não foi cientificamente estudado, mas a suspeita foi levantada pelas jornalistas americanas Denise Joyce e Nancy Watkins, editoras do jornal "Chicago Tribune". Terror natalino Motivadas pela própria experiência de infância e de maternidade, em 2007 a dupla teve a ideia de pedir aos leitores do jornal que enviassem fotos do encontro de suas crianças com o Papai Noel, que passaram a ser publicadas no site do diário. A resposta da audiência foi imediata e volumosa. No ano seguinte, as autoras reuniram as 250 "melhores" imagens no livro "Scared of Santa - Scenes of terror in toyland" (Harper Collins, 2008, inédito no Brasil) - em tradução livre, "Assustados com Papai Noel - Cenas de terror na terra dos brinquedos". Coincidentemente, a maioria das crianças que aparecem apavoradas no livro aparenta ter menos de 6 anos. Mas será que, com exceção das crianças que se assombram com o velho Noel, as demais realmente se encantam por ele? Ou será que, na verdade, os pais se entusiasmam mais que os filhos? Estudos do americano John Trinkaus, da Zicklin School of Business da Universidade da Cidade de Nova York, revelam que, de fato, a maioria da garotada - entre 60% e 90% - se mostra indiferente na visita ao Papai Noel de shopping centers.
Entre 2003 e 2008, Trinkaus publicou cinco artigos nos quais analisou a expressão facial de mais de mil crianças (de até 10 anos). Segundo ele, grande parte não conseguiu sequer esboçar um sorriso no momento da clássica foto natalina. Em compensação, quase 90% dos pais que acompanhavam os filhos "pareciam estar felizes", afirma o pesquisador num dos trabalhos, publicado na revista "Psychology Reports", em 2008. Outro dado relevante, observado em mais de um shopping center, é que a taxa de indiferença dos pequenos diminuiu com a proximidade do dia de Natal. O autor não explica por que nem arrisca alguma hipótese.
Sempre muito sucinto em seus inusitados relatos, John Trinkaus limita-se a contabilizar as coisas que o perturbam, hábito que lhe trouxe notoriedade mundial em 2003, quando foi agraciado com o prêmio Ig Nobel, destinado "a feitos científicos que primeiro fazem as pessoas rir e, depois, pensar". Além da reação das crianças ao velho barbudo, nos últimos 30 anos ele já pesquisou a preferência de adultos por sapatos brancos e por couve-de-bruxelas, bem como o número de pessoas que usam bonés com a aba voltada para trás.

Péssimo exemplo
O bom velhinho está sofrendo ataques até da área da saúde pública. Não é preciso calculadora nem fita métrica para constatar que seu índice de massa corpórea e sua circunferência abdominal estão muito além do que recomendam os médicos. E o efeito dessa imagem obesa nos hábitos de saúde da população aparentemente está preocupando alguns especialistas. "Há uma correlação entre os países que mais veneram o Papai Noel e altos índices de OBESIDADE infantil", alerta o epidemiologista Nathan Grills, da Universidade Monash, em Melbourne (Austrália), em artigo publicado em 2009 no renomado "British Medical Journal".
Grills ainda exagera no poder de influência deste senhor de roupas vermelhas ao alegar que sua figura incentiva comportamentos de risco, como viajar em seu trenó em alta velocidade e praticar esportes radicais como surfe no teto e mergulho em chaminés. "Apesar dos riscos dessas atividades, Papai Noel nunca é representado usando cinto de segurança ou capacete", diverte-se o pesquisador.
Evidentemente, tais suspeitas só poderiam ser confirmadas ou rejeitadas depois de um estudo epidemiológico que comparasse um lugar exposto a influência do velho gorducho com outro em que ele esteja ausente, como manda o método científico. Por incrível que pareça, esse lugar existe. A cidade alemã de Fluorn-Wilzen, com cerca de 3 mil habitantes, é considerada "zona livre de Papai Noel" desde 2008.
A iniciativa é de uma organização assistencial católica que pretende substituir o personagem fictício, considerado símbolo da sociedade consumista, pela imagem do generoso São Nicolau, de quem a lenda de Papai Noel de fato deriva. Mais popular na Igreja Católica Ortodoxa, São Nicolau é descrito no site da entidade como o padroeiro das crianças, "alguém que vem nos socorrer em momentos de necessidade e nos lembra da importância da bondade, de pensar no próximo e de distribuir a dádiva da felicidade".



Copyright: Unesp Ciência
"Unesp Ciência" é uma publicação da Universidade Estadual Paulista que traz reportagens sobre os grandes temas da ciência mundial e nacional e sobre as pesquisas mais relevantes que estão sendo realizadas na instituição, em todas as áreas do conhecimento.


Matéria retirada do site CFN

07 setembro, 2010

Obesidade rouba 8 anos


De acordo com estudo divulgado em congresso internacional sobre obesidade na Suécia, pessoas obesas morrem, em média, oito anos antes em comparação com pessoas da mesma faixa etária sem distúrbios alimentares.

A pesquisa foi feita por uma equipe de dinamarqueses do Hospital Universitário de Copenhague, com 5.000 recrutas entre 20 e 80 anos. Dois mil deles eram obesos no início dos trabalhos. O estudo aponta que a tendência a engordar começa antes dos 20 anos. A partir desse patamar, a probabilidade de desenvolver obesidade diminui, conforme aponta o estudo.

Segundo os cientistas, o risco de morte prematura aumenta 10% a cada unidade acima do patamar de 25 pontos do Índice de Massa Corporal (IMC), estabelecido como limite para peso normal.

O valor leva em conta a massa de um indivíduo em função da altura para determinar a taxa de gordura.

"Com 70 anos, 70% dos homens do grupo com massa normal e 50% das pessoas obesas da pesquisa estariam vivos e nós estimamos que, a partir da meia-idade, as pessoas acima do peso morreriam oito anos antes na comparação", explica Esther Zimmermann, médico e coordenador do estudo.

Mesmo sem considerar mulheres, os pesquisadores do Instituto de Medicina Preventiva do Hospital, setor responsável pelo trabalho, acreditam que os dados corroborem estudos anteriores com o gênero.

Matéria retirada do site Banco de Saúde

21 julho, 2010

Obesidade - Cirurgias Bariátricas e Dietoterapia


Atualmente, cerca de 35% da população brasileira é composta por obesos, dos quais cerca de 2 milhões são classificados como "obesos mórbidos". A obesidade mórbida e definida como excesso de peso corporal que, de tão elevado grau, pode contribuir com o surgimento de doenças ou condições que prejudicam a boa saúde e a vida de seus portadores. Um indivíduo é considerado obeso mórbido quando seu índice de massa corporal (IMC)* é maior que 40.

Entre as principais doenças relacionadas a obesidade estão o diabetes mellitus, a hipertensão arterial, a dislipidemia (elevação do teor de gordura do sangue), a doença coronariana, o acidente vascular cerebral, a apnéia do sono e outras disfunções respiratórias, vários problemas ortopédicos, a colecistopatia (pedra na vesícula), a gota e alguns tipos de câncer.
Estima-se que a obesidade atinja cerca de 15% a 20% da população adulta brasileira, sendo que 3 a 5% da mesma tem obesidade mórbida. As principais causas da obesidade incluem: maus hábitos alimentares (comer mal, comer rápido e excessos), falta de exercícios, predisposição genética e fatores psicológicos como.

Vários tratamentos têm sido propostos para combater a obesidade. Ao longo das três últimas décadas, várias modalidades de cirurgia foram propostas visando a perda de peso até que, nos dias atuais, algumas poucas técnicas foram consagradas por apresentarem resultados mais seguros, apesar de ainda terem suas limitações e inconvenientes. Dentre eles, as técnicas cirúrgicas para redução de peso, também conhecidas como cirurgias bariátricas (cirurgias para redução de estômago) tem sido muito utilizada.
É importante ressaltar que essas cirurgias não passaram a ser a modalidade de tratamento preferencial da obesidade em geral e sim uma alternativa para o tratamento dos casos de obesidade mórbida, nos quais os métodos convencionais de tratamento (tratamento nutricional, comportamental, aumento da atividade física e uso de medicamentos que auxiliem na perda de peso) não se mostrarem suficientes.

Além disso, essas cirurgias possuem contra-indicações nos casos de pessoas portadoras de pneumopatias graves (como enfisema avançado ou embolias pulmonares de repetição), insuficiência renal, lesão acentuada do miocárdio (pós um infarto extenso, por exemplo), cirrose hepática, distúrbios psiquiátricos, dependência de álcool e/ou de drogas.

Técnicas cirúrgicas utilizadas:

1. "Bypass" gástrico ou técnica de Fobi- Capella
Consiste na redução de cerca de 80% do tamanho do estômago, através do grampeamento horizontal da sua parte superior, com a colocação de um pequeno anel elástico que causa uma restrição ao esvaziamento desse segmento de estômago e sua ligação ao íleo, de forma a deixar o restante do estômago, e parte do intestino delgado (o duodeno e o jejuno) fora do trânsito alimentar. Dessa maneira, o paciente é forçado a comer pouco e devagar, para não vomitar. Além disso, por excluir o duodeno e o jejuno, a cirurgia causa um prejuízo da absorção dos alimentos, que também ajuda a perder peso. Com esse tipo de cirurgia, o paciente pode chegar a uma perda de até 40% de seu peso.

Problemas associados ao "bypass gástrico": como o alimento não é bem absorvido, o paciente pode desenvolver carência crônica de vitaminas e sais minerais, o que o obrigaria a ter de tomar suplementos vitamínicos, como sulfato ferroso e reposição de cálcio. A ingestão de alimentos muito doces pode provocar mal-estar, caracterizado por sudorese e taquicardia. Há um risco de morte de cerca de 1,5% (causada, por exemplo, pela abertura dos grampos e espalhamento do conteúdo intestinal, com conseqüente septicemia).

2. Derivação bíleo-pancreática ou técnica de Scopinaro
A maior parte do estômago é retirada do trânsito intestinal, através de grampeamento feito de forma horizontal, também se excluindo grande parte do intestino delgado (o duodeno, o jejuno e a maior parte do íleo). Dessa maneira, o alimento só entra em contato com o suco pancreático no final do íleo, já bem perto do intestino grosso. Com isso, além do paciente ser forçado a comer em menor quantidade e mais lentamente, para não vomitar, os alimentos são ainda menos absorvidos que na técnica de "bypass" gástrico. Com a derivação bíleo-pancreática, os pacientes podem chegar a perdas de até 60% de seu peso.

Problemas associados à técnica de Scopinaro: como o alimento quase não é digerido, é muito comum a ocorrência de diarréia (3 a 4 vezes ao dia) e flatulência (excesso de eliminação de gases intestinais) com odor intensamente fétido. O paciente pode desenvolver anemia e osteoporose devido à má absorção dos alimentos. O risco de morte pela cirurgia também é de até 1,5%.

3. Banda Gástrica

Um anel de silicone é colocado em volta do estômago por via laparoscópica, de modo a dividí-lo em duas partes. Este anel pode ser ajustado dependendo da necessidade, já que existe um tipo de balão inflável, podendo-se apertar ou afrouxar, permitindo a passagem de menos ou mais alimentos.

Dessa maneira, o estômago assume a forma de uma ampulheta, com um compartimento superior do tamanho de uma xícara de café e outro maior, na parte inferior. Ao ingerir 20 ml de qualquer alimento, ocorre o enchimento do compartimento superior, o que vai causar a ativação dos centros nervosos que controlam a sensação de saciedade. Embora tenha a vantagem de ser minimamente invasiva (realizada por via laparoscópica), a colocação da banda gástrica ocasiona perdas de peso de menor porte que as técnicas anteriores (até 25% do peso corporal).

A cinta em torno do estômago dificulta a passagem de alimentos sólidos para a porção inferior do estômago, no entanto a passagem de líquidos é pouco afetada. Alimentos sólidos devem ser bem mastigados até quase se transformarem em líquidos para serem ingeridos. Alimentos sólidos deglutidos rapidamente sem mastigar podem provocar obstrução e vômitos.

Problemas associados à banda gástrica: não apresenta bons resultados entre pessoas que gostam muito de doces e/ou de bebidas alcoólicas, pois os pacientes que não conseguem modificar seu padrão alimentar passam por cima dos possíveis benefícios da colocação da banda gástrica (uma pessoa que tome uma xícara de leite condensado ou uma dose de whisky, por exemplo, estará ingerindo muitas calorias, apesar de ingerir um pequeno volume de alimento). Por resultar em menor perda de peso, exige a realização de dieta hipocalórica concomitante e/ou de aumento da atividade física.

4. Balão intragástrico

Por via endoscópica, um balão de silicone murcho é introduzido no estômago do paciente e, em seguida, enchido com soro fisiológico e corante azul (que dará o alerta em caso de rompimento, pela urina tingida). O balão reduz o espaço do estômago e faz o paciente sentir-se saciado com a ingestão de menores quantidades de alimento, facilitando a adaptação a uma dieta hipocalórica. Possui as vantagens de não alterar o processo digestivo, de não requerer hospitalização para a sua colocação e de poder ser retirado, caso o paciente não se adapte. Pode promover perda de até 10% do peso corporal. Pode ser útil nos casos de obesos mórbidos que precisam perder peso para poderem ser submetidos a cirurgias. Devido as características pessoais de cada paciente, o Balão foi projetado para ter o seu volume ajustado de forma individual dentro do estômago (entre 400 a 800ml) permitindo uma otimização da perda de peso.

Pacientes que usam o Balão intragástrico estão capacitados a uma alimentação normal, especialmente líquidos e dietas programadas. Durante o uso do balão, o paciente deve ter acompanhamento nutricional e médico. A perda de peso é transitória se o paciente não continuar com a reeducação alimentar e hábitos de vida que adquiriu durante o uso do balão com a orientação nutricional.

Problemas associados ao balão intragástrico: pode provocar náusea e vômitos nos primeiros dias após a sua colocação, o que exige o uso de medicamentos intravenosos para combatê-los. Tem de ser retirado após seis meses de uso; durante esse período, há riscos de que ocorra o perfuramento do balão, seu esvaziamento, deslocamento de dentro do estômago e conseqüente obstrução intestinal, exigindo cirurgia de urgência para sua retirada. Não apresenta bons resultados em quem tem compulsão alimentar ou outros distúrbios alimentares.


Dietoterapia

Após a cirurgia bariátrica, que tem como objetivo principal a melhora da qualidade de vida através da perda de peso, a nutrição tem um papel importante porque a quantidade e o tipo de alimentos a serem consumidos devem ser limitados.

O objetivo do acompanhamento nutricional é buscar o bem estar físico e emocional, através da seleção dos alimentos que contenham os nutrientes adequados e que atendam às necessidades de cada indivíduo para que a rápida perda de peso não leve à desnutrição.

De maneira geral, a principal mudança na alimentação após a cirurgia é uma diminuição importante na quantidade de alimentos consumidos diariamente devido a redução do estômago. Porém, outros cuidados com a alimentação são fundamentais. Pode-se dividir o cuidado com a alimentação em cinco fases após a cirurgia:

Fase da alimentação líquida : esta fase compreende as duas primeiras semanas após a cirurgia e caracteriza-se com uma fase de adaptação. A alimentação é liquida e constituída de pequenos volumes (em torno de 50 mL por refeição) e tem como principal objetivo o repouso gástrico, a adaptação aos pequenos volumes e a hidratação. Como conseqüência da alimentação líquida, a perda de peso é bastante grande nestas duas semanas, devendo-se introduzir o uso de complementos nutricionais específicos para evitar carências de vitaminas e de minerais. A orientação nutricional deverá ser iniciada pelo médico e nutricionista já no hospital, antes da alta hospitalar.

Fase da evolução de consistência : de acordo com a tolerância e as necessidades individuais, a alimentação vai evoluindo de líquida para pastosa com a introdução de preparações liquidificadas, cremes e papinhas ralas. A evolução de cada paciente é variável de forma que a escolha de cada alimento deve ser acompanhada cuidadosamente para evitar desconforto digestivo como dor, náuseas e vômitos. Esta fase tem um tempo de duração diferente para cada indivíduo porém, em média, dura em torno de 2 semanas.

Fase da seleção qualitativa e mastigação exaustiva : passado o primeiro mês após a cirurgia, inicia-se uma fase onde a seleção dos alimentos é de fundamental importância pois, considerando que as quantidades ingeridas diariamente continuam muito pequenas, deve-se dar preferência aos alimentos mais nutritivos escolhendo fontes diárias de ferro, cálcio e vitaminas. O paciente deverá receber um treinamento para reconhecer quais são os alimentos mais ricos neste nutrientes de forma a ficar mais independente para escolher as principais fontes de minerais e vitaminas encontradas nas suas refeições diárias. Como a alimentação passa a ser mais consistente deve-se mastigar exaustivamente. A duração desta fase também varia individualmente e dura em média 1 mês.

Fase da otimização da dieta : nesta fase a alimentação vai evoluindo gradativamente para uma consistência cada vez mais próxima do ideal para uma nutrição satisfatória. Geralmente, esta fase ocorre a partir do 3º mês após a cirurgia quando, quase todos os alimentos começam a ser introduzidos na alimentação diária. O cuidado com a escolha dos alimentos nutritivos deve continuar pois as quantidades ingeridas diariamente continuam pequenas. Nesta fase o paciente pode ser capaz de selecionar os alimentos que lhe tragam mais conforto, satisfação e qualidade nutricional. Somente não são tolerados alimentos muito fibrosos e consistentes.
Fase da adaptação final e independência alimentar : esta fase deve acompanhar o paciente a partir do 4º mês e, como nas fases anteriores, também evolui de acordo com as características individuais podendo iniciar-se um pouco antes ou um pouco depois do 4º mês. A partir desta fase, um acompanhamento periódico faz-se necessário somente para o acompanhamento da evolução de peso e levantamento de informações para identificar se existem carências nutricionais como, por exemplo, a anemia. O paciente já tem bastante segurança na escolha dos alimentos e está apto a compreender quais são os alimentos ricos em proteínas, glicídios e lipídios, cálcio, ferro, vitamina A, vitamina C, folatos além de outras propriedades nutricionais.

Aspectos Importantes:

Consumo de líquidos : A rápida perda de peso leva a uma aumento transitório dos níveis de ácido úrico na circulação. Quando a hidratação não é suficiente poderá haver formação de litíase renal (pedra nos rins). Por este motivo o consumo de líquidos deve ser monitorado para evitar que a urina fique muito concentrada. O consumo de líquidos deve ser constante, independente da sede.

Escolha de alimentos ricos em ferro : Dentre os alimentos mais fibrosos e de aceitação mais tardia está a carne vermelha. Enquanto ela não for introduzida na alimentação, o nutricionista deverá orientar o paciente sobre outras fontes de ferro presentes na alimentação.

O consumo de alimentos riscos em ferro deve ser constante, principalmente se não for possível consumir carne vermelha.

Intolerância ao açúcar : O consumo de alimentos açucarados deve ser evitado devido a seu valor calórico elevado. Uma avaliação da tolerância ao açúcar poderá ser feita desde que acompanhada cuidadosamente pelo nutricionista.

Ritmo de emagrecimento

A perda de peso é muito intensa principalmente durante as duas primeiras semanas após a cirurgia. O ritmo acelerado de emagrecimento continua a ser observado até o terceiro mês e, a partir de então, passa a ser mais lento. Este é um processo natural de adaptação fisiológica que faz com que o organismo passe a gastar menos energia diariamente para evitar que a perda de peso rápida e permanente leve à desnutrição e aos conseqüentes riscos à saúde como a queda da resistência à infecções, desmineralização óssea, dentre outros.

A melhor forma de melhorar o ritmo de perda de peso nesta fase é a atividade física regular. O exercício faz com que o organismo gaste mais energia, o que ajuda a perder peso, além de trazer uma sensação de bem estar e relaxamento. Entretanto, deve-se procurar orientação médica para a avaliação do momento adequado para iniciar o exercício e também para a escolha do melhor tipo de atividade a ser realizada.

As cirurgias bariátricas podem constituir uma importante arma no tratamento da obesidade de grande porte. É, contudo, muito importante que sejam indicadas para pessoas que possuam estrutura psicológica capaz de suportar a mudança radical no funcionamento de seu corpo - que não estará sendo acompanhada, de imediato, pela mudança no seu pensamento e, por conseqüência, de seus hábitos. As cirurgias bariátricas não modificam a vontade de comer determinados alimentos, tampouco de comer nas quantidades a que estamos acostumados. Em função disso, não é rara a ocorrência de depressão e do abuso de álcool e/ou de outras drogas nos pacientes que foram inadequadamente selecionados para a realização de cirurgias bariátricas ou que não receberam atenção psicológica posterior a esses procedimentos.

É necessário que toda pessoa que pretende se submeter ao tratamento cirúrgico deve estar ciente dos riscos e conseqüências que corre quando sofre uma intervenção desse porte.

As cirurgias são apenas uma das etapas importantes, mas não a essência do tratamento da obesidade, onde a rigorosa seleção e acompanhamento por equipe multidisciplinar é indispensável para o sucesso do tratamento.

* Resultado da divisão do seu peso, em quilos, pelo quadrado de sua altura, em metros.


Matéria retirada do site RG Nutri

29 junho, 2010

Colocando as Crianças do Brasil na Balança


Um estudo publicado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Sbem, indica que 15% das crianças no país são obesas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que para cada três crianças obesas há duas desnutridas. O problema fica maior quando se analisa a escalada da obesidade infantil no País. De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), nos últimos 20 anos, houve um aumento de 240% de obesidade na infância e adolescência brasileira.

As estatísticas apontam que, independentemente das classes sociais, os índices de obesidade infantil caminham lado a lado, tanto em escolas públicas como nas particulares. Nas unidades estaduais, o projeto RRAMM (Redução dos Riscos de Adoecer e Morrer na Maturidade), concluído em 2002 e realizado pelo Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina, apontou que 11% de um universo de 2,5 mil crianças entre 7 e 10 anos estavam obesas. Outras 13% foram classificadas com sobrepeso.

De acordo com a Associação Brasileira de Estudos Sobre Obesidade (ABESO) a classe média do Sul e do Sudeste do país é a mais problemática atingindo um índice de meninas com sobrepeso de 34%.

Causas

O crescimento da obesidade infantil está associado a diversos fatores, dentre eles os hábitos de consumo dos brasileiros, que passaram a comprar mais produtos calóricos, o sedentarismo e a falta de informação sobre qualidade alimentar. Um levantamento realizado pelo Instituto Nielsen e pelo IBGE confirmam que o arroz com feijão foi substituído por macarrão instantâneo e carne suína. No entanto, fatores genéticos, fisiológicos e psicológicos também são apontados como responsáveis pelo aumento de peso, porém em menor escala.

O fator genético, anteriormente mais associado à obesidade infantil, deixou de ser a principal causa do problema atingindo não mais que 1% da população de crianças gordinhas. Por outro lado, a falta de dinheiro tem influenciado no aumento da obesidade nas camadas mais pobres uma vez que populações de baixa renda tendem a comprar alimentos mais baratos como, por exemplo, massas e farináceos, que podem ser adquiridos em maior quantidade deixando de lado o leite, carne e ovos.

Os pais têm grande responsabilidade nos hábitos alimentares de seus filhos. Comer errado e insistir com que as crianças limpem o prato, por exemplo, pode ensina-las a comer também errado e a comer quando não estão com fome.

Complicações

A probabilidade de que crianças gordinhas se tornem adultos obesos chega a 70%. Além disso, as crianças obesas têm muito mais chances de desenvolver diabetes tipo 2 (colocando a criança sob risco de doenças adultas, como cegueira, danos no sistema nervoso, problemas renais e doenças cardiovasculares), hipertensão, infarto e derrames apresentando o dobro da probabilidade de ter pressão alta e doenças cardíacas do que crianças com peso normal.

Prevenção

A melhor medida que os pais podem tomar para proteger seus filhos dos riscos da obesidade é através da educação desde cedo. É importante ensinar a criança a alimentar-se de forma equilibrada antes que adquiriram o hábito de comer alimentos ricos em gordura e açúcar, e antes de perderem o hábito de se exercitar regularmente. As crianças são mais vulneráveis ao ganho de peso quando ainda são bebês e novamente na adolescência. Quando começam a ganhar excesso de peso antes do primeiro ano, aumentam os riscos de obesidade na idade adulta por motivos que não são bem compreendidos.

Tratamento

Os pais têm um papel vital no combate a obesidade uma vez que são os adultos que ensinam as crianças a gostar de doces, refrigerantes e massas. Portanto, uma vez que o sobrepeso ou obesidade já está estabelecido, a determinação dos pais para a mudança de hábitos de toda a família é essencial. Além da atividade física, é preciso reformular os itens de compra no supermercado, evitando os alimentos ricos em calorias e pobres em nutrientes. Mas, cuidado com as proibições, proibir o acesso a salgadinhos gordurosos e refrigerantes pode tornar estes alimentos ainda mais desejáveis.

O problema não esta só dentro de casa, mas também nas escolas. A guerra contra a venda das porcarias nas cantinas e a substituição por alimentos saudáveis ainda não chegou às escolas estaduais e municipais, mas também já é tema de discussão no governo. Em municípios como o Rio de Janeiro e Santa Catarina, as escolas públicas foram proibidas de vender frituras, doces e refrigerantes aos alunos.


Matéria retirada do site Rg Nutri